Friday, July 13, 2007

SÃO TIAGO DE CABO VERDE

Zona dos Picos - Estrada da Achada Leitão


Aeroporto da Praia



Aeroporto da Praia





Ao descer o Abobreiro


Interior de S. Tiago tempo das Águas







Tempo chuvoso nas encostas do Djunco


I
Ali vejo um pico
Além vejo uma colina
E daqui deste pico
Vejo uma Linda menina

II
Vejo montes
Vejo serras
Também vejo fontes
Regando lindas terras

III
Com ruas em pedregulhos
Com rampas fumarentas
Com estradas empedradas
E com avenidas poeirentas

IV
Quando chove
É água abundante
Depois se move
Para uma seca permanente

V
Os vales e as ravinas
São os que abundam de verdade
As pedras e cheiros a urina
Vivem aqui em liberdade

VI
Ruas sujas
Esburacadas e perigosas
Praças nuas
Desencantadas, mas gostosas

VII
Também há,
Locais verdes, encantadoras,
O que não há,
São trabalhos duradouros
VIII
Trabalho afinco
É interesse de primeira
Mas, quando brinco
Se exaltam de que maneira

IX
É mesmo assim hoje em dia,
Não se trabalham só p’ra cachupa
Mas, assim sendo, todavia
Se vivem em chupa-chupa

X
Cabo Verde minha terra
Não sejas uma ferra,
Aqui, pois nasci
E para ti, vivi

Março 2006
Daniel Vieira

Tuesday, July 3, 2007

CASA DI DONANA

I
N'dichi Rubera tâ corré
N'odja boi na trapiche tâ roda
Guentis na bera tâ scorre
Calda qui s'tâ cai na parola

II
Canto n'tjiga ês mandan logo pâ fila
Pan s'pera nha bês, pã dâ um golpe
Di grogo cana- cana qui s'tâ cu Mila
Antis n'subi, pâ casa di Donana,
Mudjer di fama, dona di Santana

III
Ali canto n'tjiga, ê flan pã chinta,
Pã obi cusa quin ncâ sabeba,
Cusa quê flan, si manta ê pinta,
Ê flan mâ nen N'toni nen Beba,
Câ tem grogo cima el
Pã bebel à vontade,
Pã sumaral, pã odjal,
Pã flal cu verdade,
Mó quin 'n'tâ atjal

IV
‘N flal! Donana, Avé Maria Cheia di Graça
Grogo di nha câ tem mas graça
Pamodi n'panha um moco, quin bá na mó
Na mó di omis, qui .leban na pó

V
Grogo di nha ê câ brincadera,
Pâ más qui nho bebel,
Más nho crê bebe,
Tó qui nho panha, quel bom bebedera






VI
Óh! Nha Donana, nha dechan bai
Dili de Santana pâ nha rubera
Óh! Quin n'tjiga , n'tâ manda um balei
Um balei di cusas, di tudo cordera
Pâ famada Donana, quê câ brincadera


Julho de 1987
Danvieira

Tuesday, June 19, 2007

FILHOS

I
Filhos meus
Gente nova
Nados com Deus
Na mesma alcova

II
Nasceram
Dum doce amor
E parecem
Com a mesma flor

III
Foram crescendo
Num pequeno teto
São todos
Nados do mesmo feto

IV
Nascidos do nada
Ou dum amor ardente
Vivem encantado
Naturalmente

V
Esperam por algo
Ou coisa mais
Preferem diálogoComo dos pais



VI
Esperam por mais
Não coisa aparente
Nem para trás
Porque têm a mente

VII
Querem à frente
Ou coisa valente
Não se mentem
Especialmente

VIII
Sabem falar
Correctamente
Pensem aumentar
Discretamente

IX
Mais uma vez
Nada temeram
Esperaram a vez
E conseguiram

X
Tudo se arruma
Com grande paciência
Na mesma turma
Com tanta eminência

XI
Falam por todos
Com muita certeza
Vivem com modos
Que é uma beleza

XII
Trabalham afinco
Com boa coragem
Eles não brincam
Na sua abordagem

XIV

Foram versos curtos
De quadras soltas
Não é do surto
Que tu apontas

XV
Filhos meus
Acabaram meus versos
E com Deus
Façam os vossos


Daniel Vieira, 25.02.07







AQUI JAZ

I

Aqui jaz,
É a Campa da minha mãe
Aqui trás,
Muitas recordações também

II

Nesse pequeno espaço de terra
Repousa toda a minha admiração
Ao Ente, que me deixou nessa espera
E me alegrava com muita atenção

III

Desde o seu desaparecimento
Dela, a minha mãe eu me lamento
O meu coração muito sentido
Com lembranças do seu passado



6.07.06 Daniel Vieira

OS VENTOS


Com o soprar dos ventos a natureza quer mostrar que tudo isso, é um bem feliz, pois, ela reage assim, com o seu vento, de modo a suavizar o clima, moderando-o e, com o nascer, o verdejar dos campos que isso provoca a troca dos seus componentes químicos, necessários à existência das criaturas que vivem nesse planeta.

Como sabemos, ainda a vida necessita do ar, como vento, porque a nossa sobrevivência também depende disso, pois o vento é o ar em movimento devido ao desequilíbrio das pressões atmosféricas provocadas pelas desigualdades de temperatura. Serve o vento para fazer a mistura do ar, onde esteja mais quente a mistura-lo com o mais frio e, assim se ameniza o clima, em nosso proveito.

Tudo isso sim, mas não as ventanias, os ventos ciclónicos, os tornados os tufões, e outros de maligna espécie, os “rebelados”, que são os desarranjos atmosféricos que levam tudo para o azar, para a matança, para a desgraça, enfim…
Pois esses não.

Daniel Vieira 2007







Wednesday, June 13, 2007

LINDA MORENA

Linda morena
És tu Maria
Não sinto pena
Em tirar-te uma fatia

II

Da tua boca
Oh! Misse Glória
Não sejas louca
Dê-me a Vitória

III

Deixa-me te amar
Oh! Doce Varela
És como o mar
Coisa mais bela

IV

Mesmo por um dia
Oh! Linda marota
Porque no Céu eu via
O teu amor garota

30/06/06 Daniel Vieira

Sunday, June 10, 2007

DORMINDO AO FRIO

I
Dormindo a primeira noite ao frio
Tremendo tanto, ficando esgotado
Perdendo as forças, ficando sem brio
E sentindo mesmo, muito magoado

II
A noite ficava cada vez mais escura
O Sol desaparecera, mas a Lua não vinha
Sem uma esperança, nem uma ternura
Que lhe enchesse a alma, quando caminha

III
A solidão chegava, com muito horror
Vento soprava, aumentando a dor
A noite avançava, como um terror
Tudo gelava, ali ao redor

IV
A madrugada chegava aliviando a dor
O galo cantava, anunciando o calor
Do novo dia com muito amor
E o Sol surgia, com muito valor

V
Mais um dia se passava
Mais outra noite se aproximava
Mais frio à brava
Mais um galo se cantava

VI
Mais uma noite ao relento
Vendo tudo muito lento
Só estrelas no céu correndo
Deixando rastos se desfazendo






VII
Deitado num colchão de papelão
Sem mais nada, nem sequer um pão
Nem agasalho, roto ali no chão
Vivendo toda aquela maldição

VIII
Deixar a casa, deixar a família
Fugir dali, pondo-se a milha
Pobre de espírito, bendito filho
A fugir dos pais, para outro trilho

IX
Vivendo suplícios, vivendo em bandos
Juntamente com outros malandros
Sujos, mal cheirosos, sempre roubando
Ora pedindo, nem sempre encontrando

X
Lembrou-se da primeira noite, fora de casa
No gelado da rua, ao frio que abraça
Num canto deitado, ao vento que passa
Sem nada, com fome, nem uma carcaça


XI
Lembrando da casa, com tudo um pouco
Lembrando dos pais, ficando atormentado
Lembrando os irmão, ao calor do fogo
Volta para casa, correndo como um louco

22.03.04
Danvieira