Monday, June 22, 2009

IRAQUE Cap. 1







I
Bombardeamentos sobre o Iraque
Criando nuvens negras muito acre
Espalhando-se pelo Céu,
Como se fossem um negro véu

II

Na terra,
Como se fossem uma fera
Matando suas vítimas,
Entre as mais íntimas

III

Lá em cima...
Onde os fortes estão contentes
Com bombas mais potentes
Obrigandos à muita esgrima

IV

Em baixo,...
Com sangue, como um rio,
Correndo ladeira abaixo,
Enchendo todos, de um terror frio

V

Na desigual luta,
Onde não há permuta
De armas que um padece
E horrores que acontecem

VI

A desigual força
Posta, então em movimento
Os estrondos da tal força
Cria muitos sofrimentos

VII

Não havendo quem esteja.
Tão farto desta peleja
Como o Sumo da Igreja
Pôr um não que se veja
Para acabar a guerra
Ainda nesta era

VIII

Conhecem o grane trio,
Todos de grande brio
W Buche, Blair e Azinar
A acenarem sem cessar
Lá pró Médio Oriente
Até parece que se mentem
De tudo e mais Porta-aviões
E também com comilões
Que de longe os olham
Na bica do Petróleo

IX

Olhem ainda o pequeno Azinar,
Correndo sem magoar
A libertar Courdos
Fingindo-se de surdo
Esquecendo, porém, dos Bascos
Como se fossem um podre casco

X

Ainda há um torrão
Que pica com seu ferrão
E mais conhecido por Durão
Que faz de bobo a multidão

XI

Que nas Lages recebeu
O trio que por lá apareceu
E depois de breves gargantolas
Foram todos de lá embora

IRAQUE Cap. 2







Cont.

I

Agora no sul do Iraque, então se espera
Grandes Monstros de Guerra,
Muitos homens e carros de combate
Se vão juntando, para o tal embate

II

Lá em cima o povo com coragem
Esperam-lhes, para a dita abordagem
Mas a desigual força, aos fortes prevalece
Mas também querendo Deus, tudo acontece

III

Mísseis, bombas, provocando grandes perigos
Bunqueres, abrigos, defendendo de inimigos
Estrondos, explosões, ouvidos por todo lado
Mais do que esperavam aqueles desgraçados

IV

Mundo inteiro, de pé se manifestando
Diante do pobre Buche, ali se rogando
Mas, Este espera, pela coligação vencer
Ou algo de anormal, se venha acontecer

IRAQUE Cap. 3







Cont.

I

Na ONU quando a coisa aconteceu
Ele, o Buche, ainda não percebeu
Que sem votos derrotado ficou
Muito Magoado do Conselho se retirou


II

Guerra ilícita mandou ele começar
Para mostrar que ainda pode mandar
Mas desgostoso ficou muito da França
Por ter perdido a sua confiança


III

Do Koweit então se partem pró Iraque
Em duas se dividiram com destaque
A grande força rumando a Baçorá
A outra idêntica pelo deserto subirá

IV

Os Ânglos na primeira tomam parte
O Tio Sam pra Bagdade então se parte
Com prudência, ou mesmo cheios de medo
Lentamente se vão com pouco ledo


V
Sempre clamando a Deus, Virgem e Bombardeiros
Para qualquer fantasma assim na dianteira
Não adiando para outro dia
O que pode ser feito no próprio dia


VI

As tropas pouco a pouco, travam combates
Começando assim, o duro embate
Os feridos também se vão contando
E os mortos aparecem de vez enquanto

VII

São tristes os quadros, ali na frente
Aparecendo por todo lado constantemente
Mortos e feridos, por aqui e acolá
São coisas que a guerra faz então por lá

VIII

As vítimas morrem em cadeia
Do Céu, novas bombas vêm em estreia
No chão, sangue corre como maré-cheia
Hospitais, são iluminados só pela Lua Cheia


IX

Mortes em cadeia, por todo lado
Até nas estradas, onde os carros são virados
Gentes que reclamam desconformadas
As formas Buchista, como são libertadas

X

É com prédios ruindo, gentes soterradas
Por baixo de pedras e betão, engavetadas
Muito pior que inimigos chicoteados
As formas cruéis como são libertadas

XII

É assim se passa em Bagdade
Mortos por todo lado, sem escolher a idade
Jornalistas, também se apanham pela igualdade
Ali não se escolhe, nem mesmo os seus soldados

XIII

Se o inferno existir, será ali
Com máquinas voadores, por ali
Roncando os motores, assustando todos dali
Ou metralhando sem pedir o alibi

IRAQUE Cap. 4







Cont.

I

Não há palavras que descrevam tanta maldade
Nem coragem para ver tanta crueldade
Resta só rogar a Deus por um milagre
Para seus filhos um pouco de piedade

II

É com medo de Sadam
Que então se dão
Bombas à farta, ali no ar
Sem parar

III

À espera que ele se capitule
Ou se especule
A vitória do Iraque
Como um craque

IV

Mas não te enganes
Oh! Velho tirano
Que estou mais forte desta vez
E que te levo à morte de uma vez
Para te fechar a gargantola
Com a lama que te entolas

V

A morte de Sadam é um desejo
Para toda coligação, é um ensejo
Mas o velho nega com desprezo
Fecha-se no bunquer e dorme em sossego

VI

Em cima na velha cidade milenária
Os tanques ocupam já grandes áreas
Procurando o velho ditador, em todas as casas
Mas, sempre se escapa, pelas suas próprias asas

VII

Qual não seja, tão grande maravilha
Ver Sadam reunido a poucas milhas
Com seus elegantes cabecilhas
A procura de melhores dias


VIII

Astutos altos de boinas pretas
Assim é, a clique sadanista, tão ferreta
Mas todos, procurados a pente fino
Mas que se defendem com grande tino


IX

Quantas vezes, Sadam é dado como morto
Vezes quantas, também é dado como vivo
Afinal, qual seria melhor alívio
Se pior é vivo, ou se melhor é morto

VIII

Há até aqueles que o dão, já decomposto
Com mais de quatro anos, que fora deposto
Mas isso, se trata porém, de um pré suposto
Por aqueles que gostam de mau gosto

IRAQUE Cap. 5




Cont.

I

Já o Iraque bem vencido
Mas a Coligação não convencida
Não se cantam a vitória
Nem se sentem na glória

II

Pois que o medo era tanto
Não os deixavam no entanto
Ver o que defacto se passava
Quanto mais se esperava

III

Foram necessário passar três dias
Para saírem daquelas vias
E entrarem nos Hotéis
A fiscalizarem os pastéis


IV

De quarto em quartos foram andando
Alguns suspeitos foram encontrando
Tarefa Árdua e esquisita
Foi quando entraram na Mesquita


V

Nas ruas roubos se via
Gentes transportando, todavia
Mesmo nas barbas dos soldados
Tudo enquanto lhes apetecia

VI

Que estrondosa derrota
Para os aliados ali se nota
Impunes e impotentes, ali de pé
Vendo-os passando na roda pé


Praia, Março 2003

IRAQUE Cap. 6










Cont.

I
Buche cantou a vitória
Pondo América na Gloria
Anunciando fim da história
E dos combates sem Gloria


II

Cessaram todos combates
Da parte do monstro da guerra
Porém, seguiram os embates
Realizados por gentes da terra


III

Desde o discurso da fera
A bordo da grande fragata
Que a pobre gente se espera
Por uma retirada pacata

IV

Já que a coligação não sai
Começa a nova escalada
Com gente da terra que vai
Pondo bombas aí à farta

V

A luta muda de figura
A coligação passa à defesa
Com suicidas à mistura
Matando os mais indefesos

VI

Bombas arrebentam por todo lado
Dentro dos carros armadilhados
Matando vários soldados
Das tropas ali estacionadas


VII

Americanos reclamam a forma
Como são ali atacados
Não querendo carros armadilhados
Nem armas dos desgraçados


VIII
Não se lembram da aviação
Com toda aquela traição
Lançando bombas de acção
Matando gentes de então

IX

Mesmo assim não se vão embora
Só por causa do petróleo
Ficando ainda por ora
Encantados com o negro óleo

X
Bombas se estalam por todo lado
Matando seus próprios soldados
Mas ficam ali calados
Na esperança do outro lado...


XI

Até criaram Governo bonifrate
Com servidões de destaque
Com gentes da ordem de frades
Que passaram ao ataque


XII

Já passou mais de um ano
Após o discurso do fulano
Sobre a cessação do conflito
Mas continuam bem aflitos


XIII

A guerra não acabou,
Mas sim mudou
De bombas de aviação
Para bombas de reacção


XIV

Muitos soldados morreram
Também gentes da ONU pereceram
Muitas centenas se contam
De gentes que por lá ficaram

IRAQUE Cap. 7





Cont.


I

Finalmente Sadam foi preso
Será verdade ou confusão
Várias vezes saiu ileso
Da semelhante atrapalhação


II

Tudo só para enganar o Zé
Coitado, acredita em tudo
Que então se escrito ver...
Mas, será o fim de tudo!


III

Há críticos corajosos e destemidos
Que numa análise contestam tudo
Mas logo antes de serem comidos
Põe-se a milhas e ficam mudos!


IV

Sadam apareceu barbudo de cabeleira
Sentado num consultório numa cadeira
A tratar de dentes sem brincadeira
Esganado assim daquela maneira


V

São coisas que o Tio Sam faz
Há procura de uma boa paz
Tratando assim o pobre rapaz
Diante da câmara, num registo fugaz


VI

Mas são poucos que acreditam
No pouco que então viram
Médico esgravatando dente
Do homem com ar de demente

VII

Sadam é hoje um mito
Espalhado por todo o sitio
Como muitos o tem dito
Onde está, morto, vivo ou interdito

Praia, Junho 2004

IRAQUE Cap. 8


Cont.


I
Já, Sadam é morto, ali num cadafalso
Montado na zona de alta segurança
Parece até ser coisa falsa
A zona escolhida para essa matança

II
Pois, a justiça do inimigo
É com sentença a prior
Pergunta aos teus amigos
Se assim será a melhor


III
Sim, ali era lugar interdito
Só para gente de alta confiança
Mas, estavam lá os malditos
Que pertenciam à mesma aliança

IV
Posto a corda ao pescoço
Por um carrasco perverso
Ouvem-se escárnios dos monstros
Que estavam lá com os outros



V
Quando puxaram a corda
Seu pescoço partiu
O homem no meio da horda
Que o outro ali permitiu

VI
Morto, estendido no chão
Com seu pescoço quebrado
Ninguém teve a compaixão
Do falecido desgraçado

VII
Cumprida toda vingança
Exigida pelo tal fulano
Que tenta sua descartança
Dando a culpa aos tiranos

VIII
O Juiz que julgava os outros
Também foi julgado e condenado
Como foi o irmão do outro,
E ambos foram escortejados

IX
Sadam, nunca foi manso
Nem coisa que pareça ser
Mas há outros do mesmo transo
Que igual sorte deve merecer

X
Ainda assim, vai o Iraque
Com o seu medonho estandarte
De bombas, prisões e mortes
Até qu’o Alá lhe dê melhor sorte


Danvy, 15.02.07






















Saturday, May 3, 2008

SEMINUA



I
No terraço da tua casa
Exposta ao Sol escaldante
Vi-te, ali seminua
Somente em soutien e calcinhas

II
Tapei os olhos com as mãos
Para te não ver mais
Pois, mesmo assim assustado
Ainda te via, entre os dedos

III
Eras tu precisamente
Toda só de vermelha
Mas a roupa era tão pouca,
Poucochinha,
Que assim nada tapava

IV
Pois quase tudo se via
Somente, o que não aparecia
Era o pouco que a roupa tapava,
Mas não por de trás,
Onde quase tudo se via


Daniel Vieira
29.06.07



Monday, March 17, 2008

A DIFERENÇA



O Mundo como sempre, vai girando
Amanhecendo, clareando e anoitecendo
Como sempre vem acontecendo
Mas nós não, nós vamos perecendo

II
O dia brilha com o Sol, iluminando-o
Às vezes aparece limpo, nublado ou chovendo
Nós vamos crescendo, envelhecendo e morrendo
Essa é a forma, que nos vem acontecendo

III
O Mundo continua, em volta do Sol girando
Nós giramos em volta da velhice, acabando
Alguns cedo de mais, vão perecendo
Outros por cá continuam, aborrecendo

IV
Quando chove a água cai e corre como sempre
Mas nós não corremos como sempre
Nós vamos definhando a cada dia como sempre
Connosco cada dia é coisa diferente, como sempre

Daniel Vieira
24. Dez. 07

A MORTE



A Morte é o sonho suave
Que se eleva no firmamento
Voando como uma ave
Deixando para trás os lamentos

II
A Morte é o fim de tudo
Deixa muitas saudades
Entre os mais queridos
Que choram com soledade

III
É a dor que nos faz chorar
Com lamentos e aflições
Difícil é poder calar
Devido as grandes aflições

IV
A Morte é uma grande tristeza
É uma pena, é um desgosto total
É o acabar de tudo, com certeza
É a última separação e é fatal

Danvy, 05.0308





Thursday, February 28, 2008

CÔR MORENA






I

Tua cor morena trigueiral
Linda em Angra entre muitas
Bronzeada pela natureza Tropical
Airosa como poucas ali fortuita

II

Quem pudera ter em mão
Coisa assim pouco em vão
Até lambia o pé, à coxa acima
Até que tudo então se prima

III

Cor morena até da sorte
Pouco vista ali no Norte
Quem a vê sente mais forte
Uma paixão até à morte

IV

És linda e muito bela
O teu corpo ideal
Por um encontro especial
Numa noite de vela


Danvy 15.05.06

Monday, February 11, 2008

FOGO DO INFERNO

Será o fogo do inferno?



È lume por todo o lado.
Deve ser muito quente

O INFERNO EXISTE?


O INFERNO EXISTE?
I
Será que o inferno existe?
Ou são histórias que se contam
Mas muita gente insiste
Nesta história diabólica

II
O calor que por lá se faz
Como muita gente atesta
São ideias que vem de trás
Das mentes destas bestas

III
Será que o inferno existe?
Ou não! Não há Inferno?
Então, porque persistem
Nessa história eterna

IV
Dizem que lá se torram
Num caldeirão maior do mundo
Coitados dos que lá moram
Naquele buracão profundo

V
Como se diz, tudo aí é muito quente
Não há ar fresco nem ventoinhas
Nada disso estão lá presentes
Nem uma gota d’água geladinha

VI
O medo ainda é mais forte
Todos ficam horrorizados
Temendo o dia da morte
Que os tornam apavorados

VII
Falam que lá tudo é medonho
Onde idealizam coisas más
Tudo parece muito enfadonho
Atormentando ainda mais

VIII
Dizem que o sítio é tão cheio de lume
Ardente, quente e muito potente
Cheirando um mau perfume
Daquilo que está lá ardendo


IX
Aquilo ali é levado à breca
Desde os tempos remotos
Quanto mais agora nesta época
Que há mortos por terramotos

X
Assim rezam e cantam
Para fugir a maldição
Gritos de clemência se ouvem
Para evitar a condenação

XI
Será que o Inferno existe, ou não!
Então! Que há, de perversa menção?
Conta tudo dessa tradição
Se há certeza nessa criação

Daniel vieira,
10.11. 07


Sunday, February 3, 2008

MONTE GIL BISPO


Monte Gil Bispo no espaço Leste da cidade, ficando no topo da saída da Cidade

RUAS DE ASSOMADA



Bolanha, Câmara Municipal e Igreja de Nª. S.ª de Fátima

Saturday, January 26, 2008

ASSOMADA


Monte conhecido por Marques de
Pombal
O Portãozinho, muito falado em Assomada








1. A antiga Vila de Assomada, elevada à categoria de Cidade no dia 13 de Maio de 2001, é sede do Concelho de Santa Catarina desde a sua criação em 1912. Teve, de então para cá um grande percurso na transformação para o sucesso, pois de simples casebres existentes passou a ostentar prédios que faz cobiça a qualquer um. Isso tudo num lapso de tempo que medeiam apenas uns 90 anos. Digo 90 anos só, porque esse tempo referindo-se a um agregado populacional é relativamente pouco, ou mesmo muito insignificante para acontecer um sucesso daquele.

2. Como se disse, das simples casebres então existente, cujos alguns exemplares ainda hoje se apresentam, como pode ver se na rua ora a principal. Ao tempo as ruas principais eram outras, como sendo o Portãozinho onde iniciava a Avenida Santa Rita Vieira, o Cutelo, o Nhagar então muito dispersamente povoada, passou a ter prédios muito significantes compatíveis com outros de qualquer grande cidade.


AS PRIMEIRAS CASAS

3. As primeiras casas surgidas foram em Lém Vieira, onde o antigo proprietário João de Santa Rita Vieira, nascido nos órgãos num local que era conhecido por «Pau Preto» hoje Cerrado dos Órgãos, construiu a sua moradia, com vários compartimentos, sendo uns comerciais, outros armazéns, depósitos de conservação de cereais e legumes, cavalariças, garagem para carroças de bois e carruagem a cavalos. Construiu ainda outras moradias na Avenida para servir a futuros funcionários e prédios para alojar serviços públicos, como tribunal com sala para audiência, gabinetes para o Juiz e para escrivão, ainda espaço para servir de Paços de Concelho. Essas construções para as comunidades e para alojamento de entidades bem como para servir ao restante pessoal, tiveram seu inicio no começo do século XX. -

4. No encruzamento à direita da rua de quem vem da Praia e que segue para a zona do Cutelo e outra para o Nhagar, construiu então a sua falada casa comercial muito espaçosa e com boas divisões, sendo a parte de trás para escritório e armazém comercial. Essa casa hoje não existe. Em frente dela ele fez outra residência muito boa, também espaçosa, assim como no Cutelo onde ergueu mais moradias.


O PORTÃOZINHO E A CASA DE J.S.R.V.

5. Em Lém Vieira era a sua residência oficial propriamente, com um aglomerado de casas que visto ao longe, da Bolanha ou da Cruz dos Picos, parecia uma povoação. Era cercada em toda a sua extensão até ao seu limite por eucaliptos e bongavilhes tendo um portão (O Portãozinho) à entrada com as iniciais gravadas no mosaico do chão JSRV. Dali partia um caminho até as tais casariam distante cerca de quinhentos metros ladeados de roseirais com rosas floridas e pés de eucaliptos cujas copas se uniam em cima ficando uma autêntica cobertura natural. A seguir às árvores havia mata de cafeeiros que produzia anualmente muito café e no meio, em cada instante, surgia mangueiras, bem como outras árvores de frutas. Também havia um matagal de amoreiras que davam saborosas amoras e em cima daquilo viviam dezenas de pavões com os deliciosos cantos principalmente ao anoitecer. Foi assim que surgiu o célebre nome “Portãozinho”, ainda hoje existente, mas muito isolado do resto das coisas que lhe deu origem e que na sua maioria já não existem.


6. Na sua residência, para além dos cómodos habituais da família, existiam quartos para hóspedes que vinham de fora. Isso funcionava como uma pequena residencial. Havia também armazéns para produtos agrícolas, uma padaria que abastecia a região. Além disso, funcionava um conjunto de máquinas para o trabalho de sisal que era exportado para o exterior.

Lém Vieira dos pavões ornados,
Com seus cantos chilreantes
Das roseirais e das rosas
Com seus cheiros delirantes
Dos cafeeiros, dos eucaliptos
Com as suas sombras encantadoras
Das amoreiras e das mangueiras
Com seus frutos deliciosos
E do Portãozinho
Onde ele começava


VIABILIZAÇÃO DA SEDE DO CONCELHO EM ASSOMADA

7. O Sr. João de Santa Rita Vieira fez os prédios situados no «Portãozinho» com a intenção de atrair atenção das autoridades governativas da Praia, e assim viabilizar a transferência da sede do Conselho da Cruz de Cima ao pé da igreja matriz de Santa Catarina para a zona do Mato Engenho, hoje Cidade de Assomada. O terreno era um campo aberto e plano muito propicio para desenvolver uma zona habitada, do que no local onde funcionava a sede. Ofereceu os prédios gratuitamente para instalação do Tribunal e Paços do Concelho. A ideia de transferência foi aceite, mas o estado pagaria uma renda embora que simbólica. Ao local, onde se implantou a vila, foi atribuído o nome de uma das colinas que circunda a região, ou seja o monte de «Assomada».

8. A zona do Mato Engenho era quase toda propriedade rústica de sequeiro pertencente ao Sr. Santa Rita de maneira para instalação da vila, começou a dispor de terrenos promovendo assim o aparecimento de um aglomerado populacional. Desta forma passou a distribuir lotes de terreno a quem quisesse construir casas, ora vendendo ora cedendo-os gratuitamente às pessoas mais chegadas.

9. Assim, deu-se o inicio à criação espontânea da povoação, que logo começou com muito movimento comercial, a nível de mercado, às quartas-feiras e sábados, ficando a competir desde muito cedo com o mercado dos Órgãos, considerado ao tempo o maior centro comercial do interior de São Tiago. Este mercado funcionava aos domingos, mas a pedido da Igreja Católica passou para as segundas-feiras.


ESTRADA PRAIA – ASSOMADA – RIBEIRA DA BARCA
MOVIMENTAÇÃO NO PORTO DA R. DA BARCA

10. As estradas começaram a surgir entre a Praia e Assomada. Também entre esta e povoação da Ribeira da Barca um dos principais portos do Concelho. Da Ribeira da Barca escoavam nos grandes «Vapores» que ali se escalavam, com destino a Lisboa, muita purgueira que era utilizada na iluminação pública de Lisboa e na fabricação de sabão em Portugal. Ainda da Ribeira da Barca, era embarcado para outras ilhas, em barcos à vela, outras mercadorias destinadas à alimentação, como cereais e legumes, frutas frescas, etc. São Vicente era uma das principais ilhas, que consumia esses produtos.

MEIOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE

11. A estrada entre Assomada e Praia, logo muito cedo passou a ter muita movimentação no transporte de mercadorias e de pessoal. Eram utilizados veículos motorizados como de tracção animal e outros tipos de veículos. Essencialmente para o transporte de carga, era só visto a grande utilização de burros no carreto de mercadorias; cavalos transportando lavradores, comerciantes; carros de bois, de cavalo e tudo quanto na época podia ser utilizado. No trajecto, havia algumas instalações com animais para servir de mudas durante o percurso. A par de tudo isso, havia ainda a movimentação a pé de vendedeiras rabidantes com o seu grande balaio à cabeça cheio de «negócios» dos mais diversos, palmilhando os 40 km que separa a Assomada da Capital.

OS PRIMEIROS VEICULOS AUTOMÓVEIS

12. Os automóveis de carga começaram a aparecer. Primeiro, foram da marca «Ford», apelidados de «Fordecos», que no trajecto Assomada Praia, apesar de pouca carga que levavam, mais ou menos 500 kg, quando chegassem numa rampa tiravam parte da carga cá em baixo, subiam com a outra metade deixavam na lá em cima e voltam para apanhar o resto. As viaturas não suportavam o peso de toda a carga de uma só vez, não só porque o motor era fraco, como também porque as estradas tinham uma inclinação fora de comum. Havia outros carros que eram apelidados de «Calca Bai Frocha Pára», dado que para andar carregava-se o pé num pedal e o carro andava, se tirasse ele parava.

13. A seguir a esse período, começaram a aparecer carros com melhor porte, para transporte de pessoas e carga. Foram essas camionetas de carga que iniciaram o transporte colectivo de passageiros para a Praia e outras localidades. Sr. Júlio Lubrano foi um dos pioneiros a aparecer nessa tarefa, com a sua camioneta de marca Internacional cor verde, seguiu-se lhe o irmão Sr. Luís Lubrano com outra viatura Internacional de cor vermelha. Faziam carreira entre a Assomada e Praia transportando passageiros e carga os quais estavam separados entre si por um taipal. Estabeleceram-se cada um, seu dia de semana para fazerem os seus fretes entre aquela localidade e a capital.


UM CARRO ESPECIAL

14. Em 1928, surgiu uma camioneta de Marca Republique com as características necessárias para funcionamento em território muito acidentado como é o da ilha de São Tiago. Essa viatura relativamente lenta em relação às outras em sítio plano, mas cheio de vigor e força quando trepava qualquer rampa dos que havia ao tempo. Por essa razão, e, porque também nunca lhe era diminuída a carga quando chegasse no sopé das ravinas, o povo admirava com o que via e o barulho possante do seu motor potente complementado com uma espécie de gemido que produzia ao subir, atribuíram-no como sendo de algo sobre natural e ainda mais, diziam que o carro tremia as pontes quando por elas passava, o que de facto não era a realidade.

ESTABELECIMENTOS DE CARREIRAS

15. Com o andar dos tempos, passou a ter diariamente um carro a fazer essa carreira, mas uma só vez ao dia, Assomada Praia e vice versa, isso continuou até meados dos anos cinquenta, quando apareceram os dois primeiros autocarros de cor amarela pertencentes à S.A.G.A., já com sede na Praia. Estes ficaram com a exclusividade de transportar passageiros e os camiões apenas com o transporte de carga.

16. Os carros de Assomada, eram facilmente reconhecidos na Praia, pois os seus pneus andavam sempre em bom estado e os da Praia traziam na sua maioria chapas de grandes remendos. Outra faceta que os identificavam, porque andavam sempre limpos e lavadinhos. O facto se resumia, porque ao tempo, os carros de Assomada eram conduzidos, salvo alguma excepção, pelos seus próprios donos, quando os da Praia pertenciam na sua maioria às empresas comerciais e conduzidos por condutores profissionais que não davam muita atenção a essa tarefa de limpeza.

MONTES E MONTANHAS



17. A cidade de Assomada fica num terreno de certo modo plano, rodeada por quatro montes principais, os que ficam a leste, o da «Figueira Finado» e o do «Gil Bispo», a oeste o do «Cumbem», a meio norte o da «Assomada», e, mais além por de trás deste os do «Monte Tiro» frente ao Nhagar, seguindo mais a frente o «Monte Viúva» que se ergue ladeado ao cemitério.

18. Para além destes montes que acabamos de apontar e que circundam o perímetro da cidade, existem outros que estão mais além e que se erguem majestosamente como as montanhas do «Pico de António» muito por detrás do «Cumbem» que começa nos Órgãos estendendo-se por toda a faixa oeste indo terminar depois das povoações de Palha Carga e Achada Grande percorrendo largos quilómetros antes de acabar, para de seguida surgir do lado oposto o Tomba Touro e por cima do Mato Sanches o imponente «Monte Birianda», estético terminando ao alto em bico o seu cume. Pelo lado norte, surge a bem conhecida «Serra da Malagueta» que desde sempre teve aí instalado um posto de Veterinária e de Silvicultura, passando também por ela a estrada que vai ter ao Tarrafal.

19. O alto da Serra tem boa visibilidade para apreciação das paisagens que as envolvem, tanto para quem estiver direccionado para Leste ou para Oeste, poderão ver as planícies em baixo. Mas nem sempre isso acontece, porque na época do Inverno ou nas suas a proximidades, fica envolvida pelo nevoeiro que cobre toda a parte superior as vertentes da montanha, imitando algo semelhante à Europa.
AS RIBEIRAS

20. A cidade de Assomada é um local de boa pluviosidade em comparação com outros locais da ilha, que não beneficiam deste bem da natureza. Assim, por este motivo nascem, ou começam dali quando chove, duas grandes ribeiras da ilha. Uma, delas vai desaguar em Santa Cruz no leste da ilha, passando pela Boaentrada, etc. e a outra em Aguas Velas no oeste próximo da povoação do Rincão. Coisa interessante é saber que ambas as ribeiras começam, por assim dizer, ao pé do mercado da Cidade, uma na porta principal e a outra na porta oposta. A primeira segue o itinerário Mercado, Museu de Tabanca, curvando-se para Bolanha onde vai entrar-se no leito da ribeira por detrás do Lém Vieira seguindo depois o seu curso. A segunda sai do Mercado virando a esquerda em direcção ao antigo Espinho Branco depois de Chã de Santo indo entrar no leito da ribeira seguindo o seu curso. É de notar que essas duas ribeiras, como são “extensas”, recebem águas de afluentes que têm outros inícios.

Continua numa das
Próximas oportunidade
Praia Março de 2007
Daniel Vieira

Friday, October 12, 2007

OS MEUS VERSOS





OS MEUS VERSOS
(São Lindos ou Feios)

I
Há versos lindos que são de gritos
Que lendo dão muito prazer
E vamos apreciando seus mitos
Quando estamos a lê-los

II
Mas também há versos feios
E que são muito bem escritos
Feitos com grandes meios
Que os tornam bem bonitos

III
Pois não há versos feios
Nem tão bonitos versos
Porque é quando os leio
Me parecem então perversos

IV
Os versos são pensamentos
Ou melhor inspirações
Quanto melhor os sentimentos
Maiores são as soluções

V
Eles são de poucas palavras
Exprimindo uma criação
Quanto mais se afinam palavras
Melhores são as explanações

VI
Eles são como o amor
No princípio são muito fortes
Depois murcham como a flor
E esmorecem até a morte

VII
Deixam-me agora calar
Que já falei muito e bastante
Para não tentar inovar
Coisas que não são importantes

Danvy, 21.04.07